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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O Parque




Na prática, é um péssimo lugar para alguém se abrigar da chuva; um enorme descampado ladeado por árvores esguias que já se esforçam imenso para nos dar sombra, quanto mais ainda servirem de guarda-chuva.
No entanto, nunca sinto o advento do mau tempo quando passo por lá.
Aconteceu durante uma época de exames – uma muito mais piedosa do que a actual – algures em Junho ou Julho e tudo começou com um encontro “falhado”.
Tínhamos combinado um almoço num restaurante ao pé do Marquês de Pombal. Nervoso como sou e ansioso como estava, passei o dia na universidade com os meus colegas, a olhar para os livros sem realmente estudar, apenas me concentrava no passar das horas.
Chegou a hora do almoço e não tinha recebido nenhuma mensagem. “Normal”, pensei eu, ainda havia tempo… Ai se houve tempo, três horas de tempo até receber uma mensagem.
“Adormeci. Vou já aí ter.”
Por volta das cinco da tarde chegámos ao parque ao pé do Marquês; ainda era cedo para jantar, por isso decidimos ir descansar para a relva e aproveitar o calor do final do dia.
Ficámos lá algum tempo. Não me lembro do que é que falámos; lembro-me de trocarmos carícias, lembro-me de lhe tirar uma foto com o meu telemóvel e lembro-me do melhor momento dessa tarde: adormecer com a cabeça no seu colo.
Nunca antes me tinha sentido tão relaxado, tão despreocupado, tão leve…
Soube tão bem.
Depois fomos jantar. E o jantar foi muito bom também.
Foi assim que um encontro “estragado” ficou concertado e melhorado e foi assim que encontrei este abrigo da chuva.


sábado, 25 de dezembro de 2010

Cidade Natal





Sabem, acho que a minha família está amaldiçoada.
Há já alguns anos – os suficientes para poder começar a delinear padrões ou supor maldições – que a família não se consegue reunir toda para celebrar o Natal, dificuldade outrora julgada impensável. Onde dantes só cabíamos apertados em duas mesas estendidas por duas divisões da casa, agora basta apenas uma mesa e um igual número de divisões e já ninguém come apertado.
É uma pena…

Mesmo amaldiçoados, continuamos a passar esta época na minha cidade natal.
Passado pouco tempo da nossa chegada, apegou-se-me uma vontade enorme de ir dar uma volta. O mesmo passeio que os meus pais e os meus avós deram comigo há duas décadas atrás.
Sai de casa e deixei que os meus pés me guiassem por de baixo dum céu nublado.
Vantagem de se viver na parte velha da cidade: nunca fazem remodelações. O caminho estava igual, algumas lojas diferentes, mas o grosso das casas e dos estabelecimentos era o mesmo.



Ao chegar à alameda, sou cumprimentado (leia-se ignorado) por uma ninhada de gatos preguiçosos que tentavam apanhar as réstias de sol do final da tarde.
O jardim continua praticamente inalterado, para minha grande felicidade.



As gaiolas dos pássaros continuam no mesmo sítio e ainda habitadas (se bem que não vi o porquinho da índia que habitava uma delas, no meu tempo), nenhum dos enormes plátanos ou das gigantes palmeiras foram derrubados, os patos continuavam no seu lago e os pavões continuavam a passear livremente por todo o recinto.
A única modificação que logo dei conta foi a do pátio onde brincava. O recinto de areia foi substituído por borracha de pneu e os baloiços onde me baloiçava e o escorrega por onde escorregava substituídos. Tinha esperança de chegar lá e de ainda ver aquele enorme escorrega vermelho vivo… Mas até faz sentido a alteração, há vinte anos atrás, quando eu demorava imenso tempo a ir de casa ao jardim, quando era capaz de passar uma tarde toda a escorregar e a baloiçar, sabendo que era tudo o que precisava para ser feliz, nessa altura os baloiços já eram bem velhos e ferrugentos.

  
Alguém reconhece a fábula aqui representada?



























Ainda não completamente cheio, voltei para casa pelo caminho mais longe.
Na rua das lojas, procurei uma determinada loja. Se fosse de manhãzinha, ser-me-ia impossível não dar com ela, mas agora era o final da tarde…
Mal dei uns quantos passos na rua onde julgava ficar a tal loja, as minhas inquietações desapareceram e foram substituídas pelo aroma de croissants acabados de fazer. A loja ainda estava lá, era impossível não dar com ela.



Satisfeito, sai da rua principal e subi a grande avenida que me levaria a casa.


















Na cidade que me viu nascer, tenho sempre um abrigo da chuva. 


sábado, 11 de dezembro de 2010

Um céu estrelado em Lisboa.



Estou em Lisboa há uns quatro anos e posso dizer que me habituei bem à cidade, excepto num pequeno pormenor…
Por muito que procure, o céu está sempre demasiado sujo ou obstruído por prédios enormes para eu conseguir ver um céu estrelado como na cidade de onde vim.

Mas um dia consegui ver, um lindo céu estrelado em Lisboa! Tal e qual como na minha cidade de origem.
Foi um dia de semana qualquer - quinta-feira ou talvez quarta, não interessa – e eu estava a acompanhar uma amiga a casa (olá! Se estiveres a ler isto, muito obrigado. Já há muito que não falamos).
Estávamos os dois a andar por Telheiras, era uma noite de Outono mas lembro-me da noite estar agradável para o passeio. Já não me lembro bem do que falámos no caminho, muito provavelmente seria sobre música… Não nos conhecíamos há muito tempo, por isso podem imaginar o tipo de conversa que estávamos a ter; contida, a testar o piso, por assim dizer, a tentar encontrar pontos comuns para conversas futuras (que as tivemos e foram muitas).

Quase no final da viagem, deparo-me com este lugar.
Pena não conseguir uma foto de noite... Um dia volto de lá com uma


Foi fantástico.
Já tinha desistido de encontrar um lugar assim, o que fez com que a surpresa fosse mais intensa.
Ao longe, os apartamentos e casas ficaram reduzidos a pontos luminosos na encosta, as estrelas por cima de mim e em toda a minha volta brilhavam tanto, como nunca tinha visto em qualquer outra parte da cidade… Até os carros que passavam por nós lá em baixo como um borrão contribuíram para a beleza da cena.
Não resisti, deitei-me no meio da estrada (não façam isto durante o dia porque: a rua é mais movimentada e não há estrelas) e fiquei ali estendido a contemplar o céu. A minha amiga ficou a olhar para mim, mas não achou estranha a minha reacção. Deu-me espaço e fico ela também a contemplar a paisagem nocturna.

Engraçado, os olhos dela brilhavam tanto como as estrelas. Devo-me ter apaixonado nessa noite…

Bem, o lugar ainda está lá.
Ideal para quem quiser encontrar um pouco de magia nesta grande cidade.
E quem sabe, podem também acabar por se apaixonar.






Fotos de sochacki e da aplicação google earth.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Abrigos da Chuva

Onde quero contar, para quem estiver disposto a ouvir, lugares onde gosto de ir para me abrigar da chuva do dia-a-dia.
Cantinhos onde estive e gosto de estar e de onde consigo ver que a vida não é assim tão cinzenta.
Quem sabe, até poderão gostar de visitar estes "abrigos".

- "My Neighbou Totoro" de Hayao Miyazaki